Prefeito do Dicastério para a Cultura e a Educação pede que a poesia seja ensinada nas escolas e nos Seminários
Cidade do Vaticano, 21 mar 2026 (Ecclesia) – O cardeal José Tolentino Mendonça disse hoje que a poesia “está do lado da paz” porque as suas palavras são “desarmadas” e convidou a incluir a arte poética na formação nas escolas e nos seminários.
“O Papa Francisco dizia muito bem quando recomendava que a literatura e a poesia poderiam servir muito na formação sacerdotal, porque educam os sentidos, educam o olhar, educam o ouvido para uma hospitalidade mais profunda do mundo e para uma cartografia do ser humano, do mistério do ser humano. A poesia sabe o que é o coração do homem”, afirmou o prefeito do Dicastério para a Cultura e a Educação num entrevista ao Vatican News.
Recordando palavras de São John Henry Newman, o cardeal português afirmou o papel da poesia na educação.
“Ele acreditava muito no papel da educação e, sem dúvida, a poesia, a literatura e a filosofia serviam-lhe para transmitir as ferramentas necessárias que cada ser humano precisa para realizar a sua vocação”, lembrou.
O Dia Mundial da Poesia é assinalado hoje e foi criado pela UNESCO com o objetivo de promover a leitura, a escrita, a publicação e o ensino da poesia.
O cardeal Tolentino Mendonça é autor de diversos livros de poesia e publicou o seu primeiro livro «Os dias contados», em 1990.
“A poesia está do lado da paz. Porque as palavras da poesia são palavras desarmadas, são palavras onde as perguntas mais despojadas, mas ao mesmo tempo mais essenciais, podem aflorar, podem emergir e constituir um elemento de construção humana das nossas sociedades”, apontou.
O responsável apontou a poesia como a “arte da esperança” que ajuda a perceber que “todos têm necessidades de todas as palavras, de todos os vocabulários, de todas as línguas” para que cada pessoa se possa “avizinhar da poesia do mundo, que é aquela poesia invisível que desde sempre acompanha o homem na sua aventura sobre a terra.”
“A poesia não cabe no nosso quintal”, sublinhou.
O responsável olha para a poesia como uma arte que não tem fronteiras, caracterizada por ser “a hospitalidade do diverso”.
“É uma palavra que não desiste de ninguém e que espera por todos” e educa a “uma visão universal e a uma valorização da harmonia”.
“Penso em poetas como Rilke, penso em poetas como Fernando Pessoa, que nos ajudaram a olhar do limiar, a escutar aquilo que nas palavras à primeira vista não está presente, mas que depois se torna decisivo que é a experiência do mistério”, indicou.
D. José Tolentino Mendonça indicou a poesia e a arte como “essenciais para o diálogo com o mundo contemporâneo”, e explicou a arte poética tem um “pacto com o futuro”.
“O algoritmo tem um pacto com o passado. O poema tem um pacto com o futuro porque trabalha continuamente a possibilidade. Dizer ao ser humano ‘é possível, é possível, é possível’, nesse sentido, a poesia tem uma aliança com a esperança, tem uma aliança com a elaboração da paz. A poesia vai além da declaração fatalista de que é impossível. O algoritmo é um mapa dos passos percorridos. O poema é um mapa dos caminhos a percorrer”, finalizou.
José Tolentino Mendonça nasceu em Machico (Diocese do Funchal) em 1965; foi ordenado padre em 1990 e bispo a 28 de julho de 2018.
O cardeal português é doutorado em Teologia Bíblica, tendo desempenhado, entre outras funções, os cargos de reitor do Colégio Pontifício Português, em Roma, de diretor da Faculdade de Teologia da UCP e diretor do Secretariado Nacional da Pastoral da Cultura.
Foi criado cardeal pelo Papa Francisco, a 5 de outubro de 2019, sendo atualmente prefeito do Dicastério para a Cultura e Educação, após ter dirigido a Biblioteca e o Arquivo da Santa Sé.
LS

