Movimento dos Focolares terminou assembleia geral onde reelegeu Margaret Karram como presidente
Cidade do Vaticano, 21 mar 2026 (Ecclesia) – O Papa Leão XIV afirmou hoje a importância da unidade mas alertou para os perigos da uniformidade de pensamento, e pediu aos membros do Movimento dos Focolares para a “responsabilidade do discernimento comum”.
“A unidade é um dom e, ao mesmo tempo, uma tarefa e um apelo que interpela cada um. Todos, neste caminho de discernimento, devem exercer a fraternidade, a sinceridade, a franqueza e, sobretudo, a humildade, a liberdade de si mesmos e do próprio ponto de vista. A unidade de todos em Deus é um sinal evangélico que constitui uma força profética para o mundo”, afirmou durante a audiência aos participantes na Assembleia-Geral do Movimentos dos Focolares, que hoje terminou em Castel Gandolfo, nos arredores de Roma.
“A unidade não deve ser entendida como uniformidade de pensamento, de opinião e de estilo de vida, o que, pelo contrário, poderia levar a desvalorizar as próprias convicções, em detrimento da liberdade pessoal e da escuta da própria consciência. É necessário, portanto, que a unidade seja sempre alimentada e sustentada pela caridade recíproca, que exige magnanimidade, benevolência, respeito; aquela caridade que não se vangloria, não se ensoberbece, nem busca o próprio interesse, nem leva em conta o mal recebido, mas se alegra apenas com a verdade”, indicou.
Os responsáveis pela Obra de Maria, fundada por Chiara Lubich em 1943, reconduziu Margaret Karram, para um segundo mandato, e elegeu como novo co-presidente, o padre Roberto Eulogio Almada.
O Papa pediu “estilos de vida comunitária” que mostrem a “beleza da novidade evangélica e, ao mesmo tempo, respeitem a liberdade e a consciência de cada um, valorizando os dons e a singularidade de cada um”.
Leão XIV afirmou uma fase no movimento que requer “um forte compromisso com a transparência por parte de quem ocupa cargos de responsabilidade, a todos os níveis” e pediu o “envolvimento dos membros” – “um valor acrescentado” uma vez que “estimula o crescimento, tanto das pessoas como da Obra, faz emergir os recursos latentes e o potencial de cada um, responsabiliza e promove a contribuição de todos”.
“Desta fermentação de unidade há hoje tanta necessidade, porque o veneno da divisão e da conflituosidade tende a contaminar os corações e as relações sociais e deve ser combatido com o testemunho evangélico da unidade, do diálogo, do perdão e da paz”, pediu.
Aos membros da Obra de Maria, o Papa pediu ainda que sejam responsáveis por manter vivo o carisma da fase pós-fundacional, “uma fase que não se esgota com a primeira transição geracional após o falecimento da fundadora, mas que se prolonga ainda mais”.
“Sois chamados a discernir em conjunto quais são os aspetos da vossa vida comum e do vosso apostolado que são essenciais”, indicou.
Leão XIV entendeu a unidade como uma “semente, simples mas poderosa”, capaz de atrair “milhares de mulheres e homens”, capaz de suscitar vocações, gerar um “impulso de evangelização, mas também obras sociais, culturais, artísticas e económicas, que são fermento de diálogo ecuménico e inter-religioso”, explicou.
LS
Movimento dos Focolares: Cristã árabe Margaret Karram reeleita presidente

